Concerto Temporada 2019

OCAM apresenta obras vencedoras do Concurso de Composição Musical Tomie Ohtake

13 de agosto de 2019

Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro a OCAM – Orquestra de Câmara da ECA/USP apresentará programa com as obras vencedoras no Concurso de Composição Musical Tomie Ohtake. O programa celebra a interação poética entre artes plásticas e música, por meio de obras de jovens compositora/es das obras premiadas. Além disso, a apresentação será encerrada com Quadros de uma exposição, de Modest Mussorgsky, instrumentado por Julian Yu.

Programa:

Wellington Gonçalves – Dinâmica dos Fluidos (obra vencedora na categoria Ensemble)
Yugo Sano ManiA escuridão, o corpo vermelho e o fascínio (obra vencedora na categoria Orquestra de Cordas)
Paulina Łuciuk – Afterimage. Homage to Tomie Ohtake (obra vencedora na categoria Orquestra de Câmara)
Modest Mussorgsky – Quadros de uma exposição (orq. Julian Yu)

Sobre as composições:

A mitose, processo de multiplicação e replicação de um material matricial, é o conceito central de Dinâmica dos Fluidos, de Wellington Gonçalves, escrita para onze instrumentistas. A composição se inspira no movimento e nas mudanças texturais da obra de Tomie Ohtake para elaboração de transformações e sobreposições texturais, através da orquestração e de uma matriz harmônica. Ciclos de dilatação e compressão de ideias musicais, estruturas e objetos sonoros também são elementos orientadores da obra.

Wellington Gonçalves iniciou seus estudos musicais no Conservatório Padre José Maurício e no Conservatório André da Silva Gomes (São Bernardo do Campo), ingressando posteriormente na Escola Municipal de Música, tendo aulas com o violonista Daniel Murail, e na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP), tendo aulas com os compositores Rodrigo Lima, Valéria Bonafé e André Ribeiro. Realizou seus estudos de composição na Universidade Estadual Paulista (Unesp), sendo orientado pelos compositores Flo Menezes e Alexandre Lunsqui. Na mesma instituição participou como membro do Studio PANaroma, importante centro de pesquisa, criação e difusão de música eletroacústica. Participou de diversas masterclasses, cursos e palestras com compositores nacionais e estrangeiros

Um corpo vermelho cortado ao meio, que se destaca na escuridão. Tal corpo foi cortado ou encoberto pela sombra? Há algo por trás da escuridão? Tais questionamentos sobre a obra de Tomie Ohtake inspiraram a escrita de A escuridão, o corpo vermelho e o fascínio, composição de Yugo Sano Mani. A composição se utiliza de diferentes camadas de subjetividades para o processo criativo, não se estagnando em interpretações únicas sobre a obra, trabalhando aspectos das movimentações e nuances presentes no quadro, considerando seus aspectos afetivos. Sua interpretação pode se dar como um corpo celeste, um jogo de cores e contrastes, um objeto abstrato, um espaço de sensações, entre tantas outras que carreguem energias ligadas à imagem.

Compositor e violonista paulistano, Yugo Sano Mani é bacharel em composição pelo Departamento de Música da Universidade de São Paulo, onde teve como professores Silvio Ferraz, Ronaldo Miranda e Fernando Iazzetta. Atualmente faz mestrado em Sonologia – Processos de Criação Musical pelo mesmo departamento. Tem participado de diversas atividades como compositor, como festivais, grupos de criação e masterclasses voltadas à área, além de projetos pessoais atualmente em desenvolvimento. Sua produção criativa lida com diferentes territórios e mídias, tais quais músicas para peças teatrais, produções audiovisuais e música de concerto. Compôs a trilha sonora original da peça teatral “O legítimo pai da bomba atômica”, escrita por Murilo Dias César e dirigida por Gabriela Rabelo, projeto que foi contemplado pela 6º edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo em 2018. Trabalha com diversas vertentes e ferramentas estéticas, possuindo tanto peças tonais ligadas a práticas tradicionais quanto peças em territórios experimentais. Suas buscas atuais vão justamente nessa direção: lidar com vários tipos de processo e possibilidades de concepção, dialogando assim com múltiplas formas de fazer música. (foto: Janaina Avanzo)

Uma afterimage é um tipo de ilusão de óptica na qual uma imagem continua a aparecer brevemente mesmo após a exposição à imagem real ter terminado. Um exemplo são as imagens coloridas visíveis depois de olhar para o sol. Essa ilusão inspirou a construção e o caráter de Afterimage. Homage to Tomie Ohtake, de Paulina Łuciuk. A composição também pode ser considerada como uma forma de “pós- imagem” da pintura de Tomie Ohtake.

Compositora e cantora, Paulina Łuciuk é graduada e mestre em composição pela Academia de Música de Cracóvia, estudando na classe do compositor Józef Rychlik. Dentre suas obras, destaca-se a composição electroacústica Zahrozlyva vesnianka, selecionada para concertos e apresentada em diversos festivais internacionais de música. Criou música para numerosas animações, especialmente durante sua colaboração com o Departamento de Artes Gráficas da Academia de Belas Artes de Cracóvia. Atualmente é aluna da Academia de Ópera do Theatro São Pedro, em São Paulo, onde atua em produções teatrais de ópera como solista sob a orientação de Mauro Wrona. Também tem aulas com o tenor Paulo Mandarino. Além de cantora e compositora, atuou por muitos anos como pianista, estudando com professores como Jolanta Woźniak, Elżbieta Hoffman e Marzena Wiącek. Ao lado do compositor e violonista Eduardo Frigatti, criou o duo VrtoglavicaDuo (voz e violão), se apresentando regularmente em São Paulo e no exterior com repertório de árias e Lieder. (foto: Christopher Bissell).

Quadros de uma exposição foi originalmente escrita para piano em junho de 1874 por Modest Mussorgsky. A composição teve origem em uma exposição ocorrida no mesmo ano, de quadros de autoria de Viktor Hartmann, pintor, arquiteto e amigo de Mussorgsky que havia falecido no ano anterior. O compositor selecionou dez quadros desta exposição, inspirando a criação de cada um dos movimentos da obra. Como metáfora para o ato da visita da exposição, os movimentos/quadros se ligam através de um tema comum, promenades, se remetendo ao tempo de deslocamento para a observação de um próximo quadro na galeria. A obra foi orquestrada inúmeras vezes por compositores como Maurice Ravel, Leopold Stokowski, Francisco Mignone, Arturo Toscanini, tendo até uma versão rock por Emerson, Lake and Palmer. A “imodesta versão moderna escrita pelo imodesto Julian Yu”, compositor chinês, que será apresentada no concerto utiliza recursos timbrísticos e texturais que propõem o diálogo entre a obra de Mussorgsky e técnicas contemporâneas.


OCAM APRESENTA OBRAS VENCEDORAS NO CONCURSO DE COMPOSIÇÃO MUSICAL TOMIE OHTAKE

31 de agosto (sábado), 17h30
Instituto Tomie Ohtake
Rua dos Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo – SP
(Próximo à estação Faria Lima do metrô)
Entrada gratuita. Livre.

1 de setembro (domingo), 11h
Museu da Casa Brasileira
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, São Paulo – SP
Entrada gratuita. Livre. 

You Might Also Like