Concerto Temporada 2019

OCAM e OSUSP se apresentam na Sala São Paulo

24 de março de 2019

A Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM) abre sua temporada de concertos de 2019 ao lado da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), se apresentando no sábado, 30, às 21h, na Sala São Paulo. A apresentação terá regência de Gil Jardim, que apresenta o programa:

“Participar da atual temporada da OSUSP é, para mim, extremamente estimulante por inúmeros motivos: – por dirigir uma orquestra cuja história construída ao lado de Camargo Guarnieri tenho grande respeito, – por encontrar esse conjunto de ótimos músicos, parceiros da vida musical dentro e fora da Universidade de São Paulo, – por celebrar a chegada de uma gestão administrativa que vislumbra cenário positivos para o grupo e fala a língua dos músicos e, sobretudo, por convidar e abraçar nossa querida OCAM, formada por uma rapaziada sempre renovada, sedenta de oportunidades que lhes permitam crescer técnica e artisticamente. Para os bolsistas da OCAM, estar lado a lado com os profissionais da OSUSP é uma circunstância preciosa, é realmente sublime!

Essa ocasião me lembra muito um lindo conto de José Saramago, que entre outras coisas trata metaforicamente da busca que todos nós temos por nós mesmos, do esforço que fazemos para nos superarmos, para crescer, para transcendermos os horizontes de nossa existência. Para os jovens da OCAM, essa oportunidade de fazer música tendo a cumplicidade dos profissionais da OSUSP sublinham a importância do caminho, do trajeto em busca do almejado, navegando a bordo do mesmo barco criado por Saramago,  chamado “A Ilha Desconhecida”.


O repertório escolhido mantem o vínculo com a contemporaneidade e com a elegância pela escolha da boa música. É engajado com a música atual por trazer dois importantes compositores vivos: um americano – John Adams, nascido em 1947 – e outro brasileiro – André Mehmari, nascido em 1977; além do consagradíssimo compositor francês Maurice Ravel, 1875 – 1937,  mantendo fresca a modernidade do Século XX.

Iniciamos o programa com Short ride in a fast machine, de John Adams, obra em que o compositor desenvolve seu minimalismo numa espécie de “fanfarra para orquestra”, assim definido em suas próprias palavras. A construção do discurso construído através da repetição de ideias e gestos sonoros envolvendo toda a grande orquestra, pouco a pouco experimenta o que costumamos chamar de dissonância rítmica, que a grosso modo podem ser entendidas como inserções de elementos transformadores das ideias em curso, gerando novos pulsos. É vibrante do início ao fim.

Com o Concerto Chorado, obra em três movimentos de aproximadamente 27 minutos de duração, André Mehmari confirma a excelência de seu metier musical tanto como compositor quanto como intérprete ao piano.  Sua música traz cores e humores distintos em cada um dos seus movimentos.

Leio André Mehmari como um artista de atitudes extremamente antropofágicas, digerindo suas influências e jogando com todas as citações que lhe vem à mente, especialmente por ser um destemido improvisador. De forma que nesse Concerto Chorado escutarmos conversas animadas com Stravinsky, com Nazareth ou mesmo Gismonti.  Em Tempo di Choro – Canção, segundo movimento desse Concerto, temos um momento de profunda emoção que não temo em dizer ser um “momento Ravel” (Concerto em Sol Maior), embora construído celebrando a tradição do choro e seresta brasileiras.

E mencionando Ravel, é com duas obras bastante conhecidas desse magnífico ourives francês que terminaremos nosso programa: La Valse e Bolero.  

Ravel concebeu pela primeira vez a ideia de La valse em 1906. Inicialmente, a peça deveria se chamar Wien (nome alemão para Viena) em homenagem às valsas vienenses de Johann Strauss. Retomaria o projeto em 1919, quando recebeu uma comissão de Sergei Diaghilev, por uma nova partitura para os Balés russos. Finalizada, a composição não seria aceita por Diaghilev.  Notemos que entre a sua criação e conclusão aconteceu a Primeira Guerra Mundial na qual Ravel serviu como motorista de ambulância.

Em linhas gerais podemos dizer que Ravel aproveita os gestos característicos utilizados por Strauss e transforma-os num discurso orquestral de atmosfera onírica. Para um jornal holandês, Ravel comentaria:  “Eu mudei o título original “Wien” para La valse , que está mais de acordo com a natureza estética da composição. É um êxtase dançante, rodopiante, quase alucinatório, um turbilhão cada vez mais apaixonado e exaustivo de dançarinos, que são superados e exaltados por nada mais que “a valsa”.

O famoso Bolero foi escrito por encomenda da bailarina Ida Rubinstein. Ou seja, a obra foi criada como um balé e teve sua estreia, em 1928. No programa constava a seguinte descrição:  Dentro de uma taverna na Espanha, pessoas dançam sob o lustre de latão pendurado no teto. Incentivada pelo público, a dançarina pula sobre uma mesa longa e seus passos se tornam cada vez mais animados.

A proposta o Bolero é bastante audaciosa: uma melodia em duas partes –  “A” e “B” – que é repetida por uma quinzena de vezes por uma sucessão de instrumentos meticulosamente escolhidos, indo do pianíssimo ao fortíssimo num crescendo tanto de dinâmica como de densidade orquestral.

Acreditamos que esse repertório, embora bastante trabalhoso em suas nuances, será motivo de grande satisfação para todos nós, OSUSP e OCAM, que juntos com André Mehmari, estaremos reunidos para ensaios que certamente serão intensos na expectativa de alcançarmos nosso melhor para o espetáculo que faremos no Sábado, dia 30 de março, às 21h00 na Sala São Paulo.”


Centro de Difusão Internacional da USP – CDI/USP
Ensaio aberto
29 março, sexta, 12h30
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310 – Cidade Universitária – São Paulo – SP
Gratuito

Sala São Paulo
30 março, sábado, 21h
Praça Júlio Prestes, 16 – Campos Elíseos – São Paulo – SP
Ingressos a partir de R$ 15 – vendas pelo site www.osusp.byinti.com ou através do e-mail sinfonica.finan@usp.br

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