Programa Temporada 2008

Homenagem à Ludwig van Beethoven

17 de outubro de 2008

Homenagem à Ludwig van Beethoven

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Abertura “As Criaturas de Prometeu” op.43

Concerto para Piano n.3 op.37

solista: Eduardo Monteiro

Sinfonia n.1 op.21

Regência: Aylton Escobar

Na mitologia grega, Prometeu é um titã que, para se vingar de Zeus, cria a raça humana moldando no barro as feições dos deuses olímpicos. Receoso da evolução dos homens (sempre ajudados por seu criador), Zeus esconde o fogo da humanidade – único elemento que faltava para ela distinguir-se dos animais e tornar-se uma civilização. Mas Prometeu rouba o fogo do Olimpo e o entrega aos homens. A punição da humanidade veio através da caixa de desgraças de Pandora, com todas as suas doenças e sofrimentos. Prometeu, por sua vez, foi acorrentado no alto do Monte Cáucaso, tendo uma águia a devorar seu fígado imortal.

Em Die Geschöpfe des Prometheus (As criaturas de Prometeu), duas estátuas vivificadas pelo titã alcançam a redenção através do conhecimento da arte, no Monte Parnaso. Este é o argumento do renomado coreógrafo Salvatore Viganò para o balé que Beethoven musicou por encomenda da corte. A estréia no Burgtheater de Viena, em março de 1801, foi um enorme sucesso, completando inesperadas 20 apresentações. A obra, constituída por uma abertura e mais 16 números, foi dedicada à Princesa Christiane von Lichnowsky.

Para Beethoven, o ideal romântico da redenção e libertação pela arte foi uma constante. Também partilhava da visão de Goethe, que vislumbrava em Napoleão Bonaparte o ‘Prometeu moderno’, herói destemido e insubmisso do Iluminismo, que traz a liberdade e o progresso aos homens. Beethoven usará o último tema deste balé no quarto movimento de sua Sinfonia n.3 (Eroica), dedicada inicialmente a Napoleão. Quando Napoleão fez-se imperador, esta mítica é frustrada, e Beethoven rabisca sua dedicatória.

Assim vivia o grande compositor, entre o ódio pela nobreza e a busca da liberdade. Em Viena, Beethoven foi primeiramente celebrado como pianista, para depois revelar-se um grande compositor, passando então a aceitar benefícios de seus patronos para se dedicar somente à composição. Estes mesmos nobres eram menosprezados pelo gênio indomável. Buscando a independência, Beethoven faz seu primeiro concerto em benefício próprio, em abril de 1800. O programa, que incluía uma sinfonia de Mozart e trechos de “A Criação” de Haydn, apresentou sua Sinfonia n.1 em dó maior, dedicada ao Barão Gottfried van Swieten. Beethoven tinha 30 anos.

O Concerto para piano n.3 foi composto provavelmente na mesma época, mas o manuscrito traz a indicação ‘1803’, data da revisão na parte solista e da estréia da obra. Por ironia ou formalidade, outra dedicatória nobiliária: ao Príncipe Louis Ferdinand, da Prússia.

Roberto Rodrigues

Maestro Aylton Escobar

Destacado compositor e regente brasileiro com obras publicadas dentro e fora do país: Venezuela, Alemanha, Estados Unidos. Laureado pelas criações dedicadas ao Teatro (Prêmio Molière) e ao Cinema; Prêmio Governador do Estado de São Paulo; várias vezes distingüido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Nos Festivais Internacionais de Música Contemporânea europeus, estreou obras e foi premiado por sua criação coral. Membro da Academia Brasileira de Música (Cadeira Nº25 cujo Patrono é o insigne compositor Henrique Oswald). Entre os seus mestres destacam-se: Magda Tagliaferro, Camargo Guarnieri, Alceu Bocchino, Francisco Mignone. Na Universidade de Columbia (EUA), Vladimir Ussachevsky e Mario Davidovsky. Foi Diretor da Universidade Livre de Música e dos Festivais Internacionais de Campos do Jordão; Regente Titular e Diretor Artístico de importantes orquestras nacionais, freqüentando as temporadas internacionais de prestigiados teatros da América Latina e Europa. Recentemente estreou, pela OSESP, sua mais nova obra “Salmos Elegíacos para Miguel de Unamuno”, para Tenor, Coro e Orquestra, que provocou grande comoção e entusiasmo popular e da crítica especializada. É agora Professor de Orquestração, Composição e Regência e Regente Adjunto da Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo.

Eduardo Monteiro – piano

Eduardo Monteiro é considerado um dos grandes expoentes do piano no Brasil. Além do país natal, estudou na Itália (International Piano Foundation), França (Doutorado, Sorbonne, 2000), e Estados Unidos (Artist Diploma, New England Conservatory Boston, 2002).

Conquistou as principais premiações de piano no Brasil e, no exterior, alcançou
o primeiro lugar no III Concurso Internacional de Piano de Colônia, Alemanha (1989) obtendo ainda o
prêmio “Melhor Intérprete de Beetho-
ven” e o terceiro lugar nos Concursos Internacionais de Dublin (Irlanda, 1991)
e Santander, (Espanha, 1992). Foi também agraciado com o “Prêmio Carlos Gomes de Música” nos anos de 2004 (categoria revelação) e 2005 (pianista do ano).

Realizou turnês na Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Irlanda, Rússia, Itália, Suiça, Portugal, Estados Unidos e América Central e foi solista das principais orquestras do país e de renomadas orquestras do exterior.

Desde 2002 é Professor Doutor de piano do Departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Em 2007 apresentou-se na Grande Sala do Conservatório Tchaikovsky de Moscou. Desde o início de 2008 integra o Conselho Estadual de Cultura de São Paulo.

17/10/2008 – Anfiteatro Camargo Guarnieri

19/10/2008 – MASP

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