Programa Temporada 2008

OCAM interpreta Mozart e Schubert

22 de agosto de 2008

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Abertura da ópera O Empresário K.486

Sinfonia concertante para violino e viola K.364 (320d)

solistas:

Eliane Tokeshi, violino

Ricardo Kubala, viola

Franz Schubert (1797-1828)

Sinfonia n.4 em Dó menor, Trágica (D417)

Regência: Aylton Escobar

Eliane Tokeshi – violino

Obteve o título de Bacharel em Violino no Instituto de Artes da Unesp, como aluna do professor Ayrton Pinto. Premiada com uma bolsa do governo brasileiro (CAPES), deu continuidade aos estudos na Boston University, EUA, onde estudou com o professor Peter Zazofsky. Em 1999 concluiu o curso de Doutorado em Violino na Northwestern University em Chicago, sob orientação de Gerardo Ribeiro.

Recebeu diversos prêmios, como o 1º lugar nos concursos Jovens Instrumentistas do Brasil, Jovens Estímulos do Estado de São Paulo e Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, quando atuou sob a regência do maestro Eleazar de Carvalho. Em 1998 venceu o Concurso de Solistas da Northwestern University.

Como solista, tocou à frente de várias orquestras, com destaque para as orquestras da Universidade de São Paulo, da Unesp, Sinfonia Cultura, Sinfônica de North Shore e da Universidade da Northwestern (EUA).

Apresenta-se também freqüentemente em recitais e concertos de música de câmara. Tem realizado várias estréias de obras, conseqüência de destacado trabalho voltado para a valorização do repertório brasileiro e contemporâneo. Foi professora de violino e música de câmara da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atualmente leciona no Departamento de Música da Universidade de São Paulo.

Ricardo Kubala – viola

Bacharel em viola pela Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, onde, mais tarde, foi professor de Música de Câmara. Realizou curso de aperfeiçoamento na Academia da Filarmônica de Berlim, Alemanha, com bolsa de estudos patrocinada pela Sociedade Vitae, e na Escola Superior de Música de Karlsruhe, Alemanha, sob a orientação da Profª. Madeline Prager, com bolsa de estudos dos governos alemão (DAAD) e brasileiro (CAPES).

Participou ativamente de vários festivais
e cursos ministrados, entre outros, por
A. Lysy, M. Rostal, N. Brainin e Quarteto Chillingirian.

Obteve o título de Mestre em Música na Unicamp, instituição na qual, atualmente, é aluno do curso de Doutorado em Música.

Atuou como 1º violista da Orquestra Solistas do Brasil (prêmio APCA de melhor conjunto de câmera em 1995) e como membro do Quarteto de Cordas de São José dos Campos (prêmio APCA de melhor conjunto de câmera em 1997). Integrou a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo, a Orquestra de Câmara de Blumenau, e, como 1º violista, a Orquestra de Câmara da Universidade Luterana de Porto Alegre.

Foi artista convidado a compor a Orquestra de Câmara Solistas de Trondheim (Noruega), apresentando-se em vários países da Europa e Estados Unidos, além de participar de gravação de CD pelo selo Deutsche Grammophon.

Com freqüência tem lecionado em festivais e ministrado master classes em universidades. Atualmente, além de se apresentar regularmente como músico camerista e solista, leciona viola no Instituto de Artes da UNESP e no Departamento de Música da ECA/USP – Ribeirão Preto.

Em 1786, o imperador Joseph II recebeu o Duque Albrecht Kasimir von Sachsen-Teschen com um espetáculo peculiar: o confronto da lírica alemã com a lírica italiana. As obras defrontadas na Orangerie do Palácio de Schönbrunn, em Viena, foram dirigidas pelos respectivos compositores e apresentadas uma após a outra: o Der Schauspieldirektor de Mozart e Prima la musica e poi le parole de Antonio Salieri. O público elegeu a ópera italiana, com seus méritos – Richard Strauss baseou-se nela para seu Capriccio. A qualidade maior de ‘O Empresário teatral’ estava em sua abertura.

O Empresário é um singspiel (obra com textos falados e música, assim como ‘A flauta Mágica’) para atores, cantores e figurantes. Além da abertura, há 10 cenas, com apenas 4 números musicais. O libreto em alemão, de Johann Gottlieb Stephanie, satiriza o meio teatral: na sala de audições de um empresário de ópera em Salzburg circulam a arte, a cobiça, egos e rivalidades, enquanto o banqueiro que patrocina o espetáculo pressiona o empresário a empregar suas duas amantes. Na estréia atuaram a cunhada de Mozart, cantora, e o próprio libretista como o empresário, ele mesmo o mais famoso e bem sucedido produtor de Viena. Mozart escreveu ‘O Empresário’ ao mesmo tempo em que compunha Le nozze di Figaro, daí a similaridade entre estas duas aberturas.

A sinfonia concertante para violino e viola de Mozart foi composta em 1779, em Salzburg. A partitura autógrafa desapareceu, mas conservaram-se várias cópias, e partes manuscritas de Mozart contendo as cadências. Esta forma intermediária entre a sinfonia e o concerto fez muito sucesso na tournée de Mozart pela Europa, incluindo Mannheim e Paris. A tonalidade é mi bemol maior, mas a parte da viola foi originalmente escrita em ré maior, sendo que o solista afinava seu instrumento meio tom acima (scordatura), proporcionando uma sonoridade mais brilhante.

A Sinfonia n.4 de Schubert, chamada ‘Trágica’ (D417), foi composta em 1816, quando o compositor tinha apenas 19 anos, e somente apresentada em público mais de 20 anos após a sua morte. As sinfonias de Schubert foram editadas quase cem anos depois com a supervisão de Brahms, e sua numeração costuma seguir o catálogo compilado por Otto Erich Deutsch. Apenas esta sinfonia e a sinfonia inacabada estão em tonalidade menores, o que contribui para seu tom trágico. Schubert, também austríaco, foi aluno de Salieri, e assim como Mozart morreu jovem, aos 31 anos.

Roberto Rodrigues

22/08/2008 – Anfiteatro Camargo Guarnieri

24/08/2008 – MASP

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