Programa Temporada 2008

OCAM interpreta Mozart e Haydn

30 de maio de 2008

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Abertura de “A Flauta Mágica”, k. 620

Joseph Haydn (1732-1809)

Concerto para violoncelo n.1, em Do maior, Hob. VIIb/1

solista: Antonio Lauro Del Claro, violoncelo

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Sinfonia n.38, em Ré maior – “Praga”, k. 504

Regência: Olivier Toni

Num curto espaço de tempo, situado entre julho de 1791 e a véspera de sua morte em 05 de dezembro do mesmo ano, Wolfgang Amadeus Mozart recebeu e aceitou inúmeras encomendas. Neste curto espaço da sua existência, encontrou tempo suficiente para – apesar da sua intensa e atribulada vida profissional – compor inúmeras “cadências para concertos de piano” de compositores inteiramente desconhecidos, o “ave verum”, KV.618, duas óperas, respectivamente “A Flauta Mágica” KV.620 e “La Clemenza di Tito” KV.621, ambas escritas durante o mês de setembro, um concerto para clarinete KV.622 em outubro e a cantata “Laut verkunde unsere Freunde” KV.623 em novembro, além de uma “Missa de Réquiem” KV.626, inacabada e parcialmente paga, cuja única parte inteiramente escrita pelo compositor até o dia de sua morte foi o “Requiem Aeternam”. O “Sanctus”, “Benedictus” e “Agnus Dei”, foram escritos respectivamente por Franz Xaver Suesmayr, segundo depoimento feito por este último. Tudo isto vem atestar que o grande e inigualável compositor tinha maior preocupação com as formas profanas da Música, do que com a tranqüilidade de sua Alma…

O “Ave Verum” pode ter servido como um passaporte para garantir a sua poltrona cativa junto de São Pedro.

A Flauta Mágica, mais do que as outras obras escritas por Mozart em seus últimos meses de vida, atesta a nossa opinião: nesta ópera a mãe do Mundo se identifica com a própria Natureza, o sacerdote Sarastro ocupa todo o espaço do Criador, Tamino e Tamina encaram o amor eterno que alcançará o Templo da Sabedoria, se considerarmos que o desenvolvimento de toda a ópera se refere em cena aberta – e na Música! – a recepção de um candidato na sociedade maçônica. Os três acordes da abertura entrecortados por apojaturas, precedendo um fugato emprestado da sonata op. 47 nº 2 de Muzio Clementi, prenunciam a larga caminhada litúrgica a ser percorrida pelo neófito Tamino, envolvido numa extraordinária concepção operística reunindo conflitantes personagens de um conto de fadas, harmonizados pela presença contagiante do alegre Papageno que tanto contribui para colocarmos “A Flauta Mágica” no patamar absoluto de referência em meio a toda a literatura operística germânica.

Sinfonia em Ré Maior KV.504 teve a sua primeira apresentação em Praga a 19 de Janeiro de 1786, no mesmo local em que foi encenado “Don Giovanni” em 1787. A idéia principal do primeiro movimento, recorda um pouco a Abertura de “A Flauta Mágica” e no Rondó final Mozart utiliza o mesmo motivo da ária de Cherubino das “Nozze di Fígaro”, mas o mais curioso nesta Sinfonia é o fato dela ter apenas três movimentos. Possivelmente, Mozart tenha querido referir-se a antiga escola italiana, ou mesmo utilizar algum símbolo ternário, como se tornou muito comum, em inúmeras composições posteriores a 1784, quando reformula completamente o desenho da sua música, rebuscando novas concepções rítmicas, fraseológicas e de teor expressivo até então inusitadas.

Embora Franz Joseph Haydn não tenha tido o privilégio de ter recebido sua instrução musical de um Leopold Mozart, nada o impediu de ter superado extraordinariamente a sua fulgurante trajetória artística a ponto de muito jovem ter recebido um convite para dirigir a música da Corte do príncipe Esterhazy, onde permaneceu durante quase trinta anos, sem grandes preocupações de ordem financeira. Durante todos estes anos teve a possibilidades de refletir e compor, introduzindo em suas sonatas, quartetos, sinfonias um inteiramente novo princípio de desenvolvimento temático que refletiu em quase todas as obras de Mozart e Beethoven.

Escreveu dois oratórios, seis missas, óperas, 106 sinfonias, e 37 concertos para instrumentos diversos. Dos seus concertos para violoncelo, apenas três deles foram devidamente autenticados e documentados: dois em Ré Maior e um em Dó Maior, cuja partitura somente foi encontrada em 1961.

Olivier Toni

Olivier Toni foi discípulo de Mario Rossini, Martin Braunwieser, H.J. Koeullreuter e Camargo Guarnieri. Entre as orquestras que dirigiu está a “Berliner Kammerorchester” com o Coral da Universidade de Humboldt, a Orquestra de Câmara da Costa Rica (1992) e a Orquestra Sinfônica Nacional de Cuba (1997).

Compositor, teve a obra “Três Variações para Orquestra” executada pela Orquestra Sinfônica de Bochum, na Alemanha, em 1963 e a estréia da obra “Canção de Amigo”, que foi agraciada com o segundo prêmio do Concurso Nacional de Composição (Funarte-1980), em Berlim, em 1990.

Maestro e compositor fundamental na história da música brasileira e de São Paulo, participou da formação de diversos e renomados intérpretes, musicólogos e compositores brasileiros como Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Mario Ficarelli e Rogério Duprat, entre outros. Fundou a Orquestra Sinfônica Jovem Municipal (1968) e a Escola Municipal de Música (1969), ambas em São Paulo. Fundou também o Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde é professor titular desde 1970, tendo em 2001 recebido o título de “Professor Emérito”.

Fundou, ainda, a Orquestra de Câmara de São Paulo (1956), a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (1972) e a Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo – OCAM (1995).

Antonio Lauro Del Claro – violoncelo

Com uma bolsa concedida pelo Governo do Estado de São Paulo, estudou em Paris, mas foi em Genebra (Suíça) que teve oportunidade de aperfeiçoar-se, tornando-se discípulo do consagrado violoncelista Pierre Fournier. Foi o mais jovem integrante da Orquestra de Câmara “Pró-Música” de São Paulo e da Orquestra Filarmônica de São Paulo, tendo sido posteriormente primeiro violoncelista da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e da Orquestra da USP. Na Suíça fez parte do “Trio de Genebra”, tendo realizado gravações para a Radio Suisse Romande, e se apresentado na França, Suíça e Itália. Como integrante do Artistrio (Brasil) realizou tournée pela Alemanha, onde gravou o CD com obras de Villa Lobos. Atualmente faz parte do Trio Americas, apresentando-se pelos Estados Unidos e Brasil. Como solista, atua junto às maiores orquestras brasileiras, nos importantes centros culturais do país. Como recitalista tem atuado no Brasil, França, Suíça, Itália, América Latina e EUA. Como professor, além de ter integrado o corpo docente do Departamento de Música do Instituto de Artes da UNICAMP, na cadeira de violoncelo, realiza seminários e Master-Classes em diversas cidades do Brasil e EUA, participando também dos mais importantes festivais de música tais como: Festival Internacional de Curitiba, Festivais de Inverno de Campos do Jordão, Londrina e Belo Horizonte. Anualmente é convidado pela Universidade do Missouri-Columbia-EUA para ministrar aulas de violoncelo.

Obteve da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o prêmio de Melhor Solista Jovem de 67-72 e Melhor Solista de 92. Recebeu também o Premio Carlos Gomes de 99 como Melhor Solista Instrumental. Sua grande preocupação em divulgar a música brasileira o fez gravar vários discos de compositores tais como: Camargo Guarnieri, Henrique Oswald, Villa Lobos, e Radamés Gnatali, tendo também apresentado em 1a. audição mundial obras para violoncelo que lhe foram dedicadas pelos compositores: Camargo Guarnieri, Osvaldo Lacerda, Claudio Santoro, Almeida Prado e Sérgio Vasconcelos Corrêa. Foi convidado a participar da Fundação Symphonicum Europae no Lincoln Center em Nova York temporada 98/99. Fundação esta que busca a união espiritual dos homens através das artes, e teve entre seus ilustres fundadores Pablo Casals.

30/05/2008 – Auditório Olivier Toni

01/06/2008 – MASP

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